Descubra o Alentejo

O Alentejo é o local onde o tempo e o espaço se fundem. Aqui abrandará o seu ritmo contactando com as populações locais e respirando toda a calma e felicidade local.

Os horizontes são vastos e parecem não ter fim. As cores e os cheiros que brotam da terra enquanto a noite se instala, são inebriantes. E finalmente quando a noite escura chega é o momento ideal para olhar para o céu e observar as estrelas com os nossos próprios olhos. O Alentejo é isto: o perfil da arquitetura local é único; ele está presente na arquitetura rural presente nos montes (complexos rurais) das grandes propriedades, nas fileiras de casas mais antigas das cidades, ou nas capelas que pintam o topo das colinas ondulantes. Ele está também presente nas suas artes, que se conservam e são renovadas, na tradição mantida e recreada ao longo do tempo, no canto Alentejano que na sua expressão bem revela o coração e a alma deste povo.

No entanto o Alentejo de hoje não se esgota apenas na sua ruralidade. A região preserva hoje o que será a promessa de um futuro risonho: a pequenez e a qualidade de vida dos seus centros urbanos, o vanguardismo das Universidades Alentejanas, a escala humana, o silêncio, o caráter pacífico do seu povo, a liberdade e a frescura do ar que respiramos. E o tempo… O Alentejo tem uma forma muito específica de o viver; de tal forma que é comum os Portugueses contarem inúmeras graças sobre este assunto; no entanto, quando o vivem sentem que ele é algo de invulgar, que se infiltra na nossa pele e que nos faz esquecer o nosso dia-a-dia frenético. Acabamos por o sentir, como aquilo que sempre foi: o mais precioso dos nossos pertences pessoais.

 

Enogastronomia no Alentejo

Comer, beber e petiscar são rituais formas de socialização, de diversão entre amigos e convidados. No Alentejo comemos e bebemos tão bem…  É costume afirmar que no Alentejo quer se seja rico ou pobre, a mesa está sempre pronta. É verdade. E esta verdade confere um especial sabor à descoberta da sua gastronomia e vinhos. Eles são parte integrante da vida quotidiana da região.

 

Néctar de Baco

No Alentejo não existe muita polémica sobre a honra que temos de prestar a Baco. Existem mais de 250 produtores com uma área de cultivo na ordem dos 22.000 hectares.

A qualidade típica dos vinhos Alentejanos provém da combinação de diversos fatores: o perfeito casamento existente entre diferentes castas e os diferentes tipos de solos (graníticos em Portalegre, vermelhos e cinza em Évora, de xisto no Redondo, Reguengos e Vidigueira), os milhares de horas de exposição solar por ano, a disciplina dos cultivadores que sabem que um bom vinho começa na vinha e por ultimo o trabalho dos enólogos que na arte de fazer vinho conseguiram casar tradição e modernidade.

Os brancos são aromáticos, frescos, harmoniosos e por vezes complexos, o resultado da mistura de castas. Os tintos, rubis ou granada na cor têm bouquets intensos de fruta vermelha madura, suavemente adstringentes, equilibrados e encorpados. Embora ganhem complexidade com a idade, podem de igual modo ser bebidos novos.

 

Coma o que a Terra dá

Das tradicionais receitas até às mais recentes inovações na cozinha gourmet, dos petiscos até aos pratos mais aromáticos ou aos doces tradicionais e pudins originados nos conventos, no Alentejo irá encontrar tudo criado e recriado com os produtos da região, uma grande dose de imaginação e a misteriosa mão (toque especial ou talento). Os vinhos, os queijos, os enchidos e as carnes curados, ficam-nos na memória. Quando chegamos aos temas da mesa, o fosso entre gerações não existem.

A cozinha Alentejana, altamente rica em sabores esteve sempre conectada aos produtos do campo e tem na sua base uma trilogia: pão, azeite e ervas aromáticas. No que se refere ao pão ele sempre foi um acompanhamento dos petiscos e esteve presente nas açordas, assim como em dezenas de sopas como o gaspacho, a sopa de cardo, de beldroegas. É também o grande ingrediente das migas de podem ser de couve-flor, bacalhau ou de espargos verdes.

O azeite hoje é reconhecido pelos nutricionistas como um fator da alimentação saudável, é a pedra de toque que distingue o excelente, do bom, ou do mau.

As ervas aromáticas – coentro, poejo, hortelã água, alecrim, louro ou louro, segurelha, orégão, para citar apenas os mais conhecidos são esmagadas, cotadas aos pedacinhos ou colocados em molhos de acordo com o prato que vão potenciar. Quando os produtos são de qualidade e genuínos; como acontece no Alentejo os molhos não existem para esconder mas sim para reforçar o mais possível os sabores.

 

Património no Alentejo

No Alentejo a força da Terra marca o fluir do tempo e cidades como Évora e Elvas classificadas como Património Mundial da Unesco, mostram a tenacidade deste povo.

 

Muralhas que Vigiam o Horizonte

Toda a paisagem Alentejana é dotada de castelos, fortes, torres de menagem, cidades e vilas fortificadas, sendo o testemunho que com a reconquista Cristã firmemente estabelecida no Sul, era necessário continuar a defender as fronteiras do país a leste respondendo às guerras com Espanha, prevenir os ataques que vinham do mar a ocidente e pelo interior era necessário conter ataques não sustidos pelas defesas das fronteiras.

 

A Ambiência Árabe

A ocupação Árabe começou no séc. VIII d.c. e durou em Portugal quase 500 anos. Desse longo período de ocupação os Portugueses herdaram plantas e técnicas de cultivo, hábitos culinários, sistemas para capturar e armazenar água, gostos decorativos, estilos artísticos, técnicas de construção, estilos artísticos e ambiências urbanas. Os arquétipos de muitos dos nossos castelos da reconquista são Árabes e um grande número de igrejas foram construídas sobre mesquitas. Mértola a cidade mais Árabe de Portugal é um lugar onde podemos realmente compreender esta herança.

 

A Ambiência Conventual

Tudo começa de novo, no tempo da reconquista, quando reis e ordens religiosas militares juntaram forças para pôr termo à ocupação dos “infiéis”. Da origem da nacionalidade até ao séc. XIX, primeiro com o auxilio dos militares, depois através da missão de evangelizar (por vezes não pacífica) e de seguida nos tempos negros da Inquisição, para defender a ortodoxia católica, o clero sempre desempenhou um papel muito importante na história do Alentejo. Durante séculos foi o clero o maior proprietário de terras na região.

 

Évora Património da Humanidade

Évora é um ponto incontornável do património nacional. Classificado pela Unesco Évora ocupa justamente um lugar em qualquer itinerário de Turismo Cultural.

A sua arquitetura e património artístico são tão omnipresentes na cidade, que só por si estes aspetos são um guia para qualquer pessoa que queira deambular sem direção definida: do Romano ao Barroco, todas as épocas da história estão com obras que satisfazem os olhos e a alma.

 

Artes e Ofícios Tradicionais

O artesanato no Alentejo está a mudar. Já lá vai o tempo em que estas artes eram identificadas desde logo com caras rugosas de velhos mestre que trabalhavam o barro, o ferro, estanho, madeira, cortiça, couro, chifre e com mulheres que com as suas mãos hábeis pintavam pratos, faziam rendas, bordados ou gastavam intermináveis horas na frente dos seus teares.

Entre as artes que estão a estabelecer o direito a ter um futuro, temos que nos interessar por duas, em particular: a olaria ligada à pintura e a tapeçaria. Estão ligados a dois centros de produção/criação bem definidos, que providenciam treino aos seus visitantes e que têm lojas onde são vendidos os seus produtos.

 

Natureza no Alentejo

Um único e delicado sistema natural cujo equilíbrio é responsável por muito da sua fauna e flora.

 

Natureza no seu estado Puro – Serra da Ossa

Sobreiros, azinheiras e oliveiras são as árvores mais comuns do Alentejo e constituem um delicado sistema natural responsável por muita da biodiversidade deste território. O Alentejo é também largamente dependente dos seus recursos aquíferos e foi por essa razão que o maior lago artificial da Europa foi construído: para assegurar um reservatório estratégico de água que permitisse fazer uma agricultura de regadio.

As planícies características do Alentejo e a falta de barreiras orográficas consequente evitam a condensação da humidade provinda do oceano, negando pois a este território uma influência mais Atlântica. No entanto, os poucos pontos orográficos existentes no Alentejo são os responsáveis pela regulação e identidade das suas sub regiões vitivinícolas. Curioso, pois, como os potenciais problemas foram resolvidos pelo povo Alentejano. Não admira que os Alentejanos sejam tão orgulhosos da sua cultura…

 

Pelas terras mágicas do Alqueva

A imensa extensão de água do Alqueva, tem uma área de 250kms2 e estende-se por mais de 80kms do curso do Guadiana, com os seus milhares de ilhéus tem um perímetro de 1160kms.

A nova beleza que resultou desta construção fundiu-se na perfeição com a beleza mais tradicional do Alentejo: paisagem feita de milhares de oliveiras, sobreiros e azinheiras e porque estamos também numa zona de fronteira, a herança notável das cidades e vilas fortificadas, que defenderam o território durante séculos. Para si e para todos os que nos visitam, este grande lago foi a cereja no bolo em termos de oportunidades para estar mais próximo da natureza…