Consegue avaliar objectivamente um produtor de vinhos?

Quando visitamos um produtor de vinho a nossa opinião sobre serviço, infraestrutura serviço e vinhos são moldados por fatores intangíveis que inconscientemente resultam numa opinião final sobre o produtor. Será que sabemos porque razão gostamos mais de uns que outros? Vamos então tentar ir um pouco mais fundo na busca de uma resposta satisfatória.

Na The Best Portugal conhecemos todos os anos diversos tipos de produtores agrícolas. Existem no entanto e genericamente falando dois tipos que abrangem a grande maioria dos mesmos: aqueles que herdam as propriedades dos seus ancestres e os que têm que lutar para ir atrás do seu sonho de possuírem não só propriedades como capacidade produtiva autónoma.

Os primeiros são muitas vezes herdeiros com dinheiro nos seus bancos e mais charmosos pois conseguem desde logo mostrar a todos os que os visitam a história de gerações de produtores assim como as suas muitas vezes deslumbrantes instalações físicas com os seus jardins luxuriantes e planeados ao pormenor. As visitas são muitas vezes magnificas recheadas de meios para demonstrarem fisicamente o que as palavras expressam fazendo recurso a vídeos explicativos do processo produtivo, da história da família. Usam-se meios como picnics nas vinhas, passeios 4×4 ou mesmo eventos de vindima.  Existe uma espécie de calma e tranquilidade que impera e que parece encher todos de confiança e otimismo.

No outro lado temos a segunda categoria a dos produtores que sobem a escada do sucesso a pulso e que por vezes quando o alcançam já estão numa situação de passar o seu legado aos seus filhos. Tudo com eles se faz envolvendo risco. Risco de contrair empréstimos junto aos bancos, risco de não ter a certeza quanto à possibilidade de dar tempo de qualidade e dinheiro para o bem-estar da sua família, risco inerente à actividade agrícola que depende apenas da mãe natureza para dar os seus frutos, rico de se não conseguir impor no mercado e afirmar-se nos mercados internacionais onde os gigantes se degladiam. Enfim, estes produtores deviam ter juízo e pensar 3 vezes antes de se lançarem na aventura, não acha? Por vezes é o que fazem e não são raros os enólogos que tentam contrariar  todos estes riscos adoptando diferentes estratégias: serem consultores em regime de tempo parcial em 2 ou 3 produtores, não comprarem terra mas sim alugarem as respectivas produções para produzir vinhos com a sua marca própria.

Porém isto só acontece quando já têm capital ou alguma reputação o que, na maior parte dos casos só muito mais tarde é conseguido. Portanto estamos no domínio do sangue suor e lágrimas. Poderão perguntar será que isto se sente no vinho? Eu direi sempre sim se estiver com o enólogo a escutar a sua história de vida. Esta é a principal razão pela qual o vinho é um produto de paixão e apaixonante.

Quer as histórias de paixão derivadas do legado familiar do produtor, ou da forma como tem vindo a renovar toda a propriedade e os seus métodos produtivos contadas por produtores com largos séculos neste sector como as histórias de empenho e luta árdua pelo reconhecimento dos enólogos florescentes são sempre contadas com uma paixão e ternura que é difícil de ver nos dias de hoje. A ligação á terra e à natureza também para isso contribui.

No entanto aquelas histórias que envolvem tenacidade e sacrifício pessoal muito acima da média nunca deixarão de impressionar de uma forma mais pungente a nós e aos clientes da The Best Portugal que se sentem de igual forma atingidos e sensibilizados pelo esforço e voluntarismo que estes empreendedores revelam. Isto porquê? Regra universal e simples: todos apreciamos de uma forma singular aqueles que lutam por chegarem aos seus sonhos. Como Aisha Tyler uma vez disse “nada que seja significativo para nós é fácil de obter”. Amen a essa frase.

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