Serão as medalhas de ouro o mais importante nas competições?

Os nossos atletas inspiram-nos quando chegam ao pódio tal como os nossos vinhos mas quando sabemos das histórias de vida reais por detrás deles apercebemo-nos que na sua origem está muitas vezes um passado de sacrifício pessoal e trabalho árduo que motiva milhões e milhões de pessoas em torno destes princípios. Será que devemos dar mais valor às medalhas quando apreciamos um vinho ou pelo contrário de acordo com o momento, a companhia e o local devemos julgá-lo por apenas aquilo que ele é naquele momento e sem quaisquer filtros?

Dificilmente me considero um atleta de elite mas, em 2021, fui claramente inspirado pelo exemplo dos atletas portugueses Cristiano Ronaldo e Jorge Fonseca.

Aos 9 anos de idade Cristiano Ronaldo começou oficialmente a jogar futebol e aos 11anos entrou para um grande clube em Portugal e no ano seguinte em 2003 entrou num dos melhores clubs da Europa o Manchester United.  Mudou-se da Madeira sua terra Natal para Lisboa com 11 anos e aprendeu a viver sozinho. Após uma estreia no Manchester United, o seu pai alcoólico faleceu sem ver a glória do seu filho. No entanto, Cristiano nunca deixou de ter a sua família por perto e nunca negou as suas origens humildes, trazendo a sua mãe a todas as cerimónias de prestígio da sua carreira. Até hoje, ele personalizou os mais diversos prémios internacionais no futebol de alta competição e figura como uma lenda e um exemplo do desporto nacional e internacional.

Jorge Fonseca, o judoca português que nasceu em São Tomé e Príncipe, chegou a Portugal aos 11 anos de idade e rapidamente se apaixonou pelo judo através do seu professor de educação física do liceu. Aos 17 anos tornou-se pai e em 2013 alcançou um título sem precedentes:  Campeão Europeu de Sub-23 na modalidade. Pouco depois da felicidade de ser pai, em 2015 o judoca descobriu que tinha um tumor na sua perna. Apesar deste enorme contratempo o judo nunca deixou de fazer parte da sua vida quotidiana. Há alguns dias, ganhou uma medalha de bronze nos Jogos Olímpicos de Tóquio.

Num mundo em que o desporto é muitas vezes sobre ganhar a todo o custo, a sua história é um triunfo de participar por amor ao jogo. A obsessão com medalhas de ouro – com ser visto como tendo triunfado – afecta também o mundo do vinho.

Perdi a conta do número de vinhos fracos que levam autocolantes de medalhas de ouro e prata por todo o lado, alguns deles de concursos e organizações cujos critérios de julgamento só podem ser descritos como extremamente generosos, se não mesmo cínicos. Mas qual é o mal de beber um vinho que ganhou um bronze, que recebeu 87 pontos, ou mesmo nada?

O desporto é mais absoluto do que o vinho. Há apenas uma medalha de ouro disponível em qualquer evento. Mas Ronaldo e Jorge Swann mostraram-nos que outras coisas também são importantes, tanto no desporto como na vida.

Não é preciso apenas ganhar para ganhar.

Saúde,

 

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