Tomar; a última cidade dos Templários

Situada ao longo das margens do rio Nabão, o charme de Tomar está nas igrejas antigas que pontilham as suas ruas pitorescas de calçada Portuguesa, no bonito parque ribeirinho e na proximidade da Mata dos Sete Montes onde o impressionante Convento de Cristo e a sua fortaleza fazem da visita a Tomar, um dos pontos obrigatórios de qualquer visita a Portugal.

A Ordem dos Cavaleiros Templários e a Cidade

Tomar é uma cidade historicamente marcante na região do Ribatejo, no centro de Portugal. Envolvendo as margens do rio Nabão, Tomar tem ruas estreitas e uma série de edifícios atraentes. É também o lar de um dos mais importantes monumentos arquitectónicos e religiosos do país – o Convento de Cristo- que se pensa ser a última sede dos Cavaleiros Templários e eleito em 1983 Património Mundial da UNESCO. Este magnífico mosteiro e o seu castelo estão localizados numa posição estratégica eminentemente defensiva, no topo de uma colina arborizada e com uma vista magnifica para a cidade de Tomar.

Os Cavaleiros Templários eram uma força de combate de elite e uma ordem semi-religiosa que foi fundada em 1119, durante as Cruzadas. Sob a orientação de Gualdim Pais, o visionário Grão-Mestre dos Cavaleiros Portugueses, a ordem começou a construção de um castelo na colina com vista para Tomar por volta de 1160. A sua tipologia é comum às igrejas bizantinas e a estruturas semelhantes em Jerusalém, na qual se integra o estilo românico com o movimento das Cruzadas. Cada cavaleiro fazia um voto de pobreza e castidade e usava um jaleco branco com uma cruz vermelha. Ao longo dos anos, os Templários espalharam-se pela Europa e pelo mundo, ganhando uma riqueza extraordinária no processo – e também muitos inimigos poderosos!

No início dos anos 1300, com acusações de heresia pelo meio, a ordem foi finalmente suprimida. No entanto, em Portugal, os Templários ressurgiram novamente em 1320, reinventados como ‘Ordem de Cristo’, agora sob o controlo da Coroa Portuguesa. Foi graças à riqueza dessa nova ordem que o príncipe Henrique, o Navegador (que foi Grão-Mestre de 1417-1460), conseguiu financiar as lendárias viagens marítimas de Portugal. O orgulhoso símbolo da ordem – a Cruz de Cristo – tornou-se a bandeira distinta da grande era de exploração e descoberta do país. Entre os séculos XIII e XVII, o Convento de Cristo passou por uma expansão contínua para se tornar o magnífico monumento que é hoje.

Mas há muito mais em Tomar do que apenas a Ordem dos Templários…

Tomar tem muitas outras atracções dignas de nota. Iniciamos a nossa exploração no lado leste do rio Nabão em Santa Maria do Olival, numa igreja simples que data do século XII e construída para os Mestres Portugueses da Ordem dos Cavaleiros Templários. É o lar de muitos túmulos templários, sendo o principal o de Gualdim Pais, grão-mestre da Ordem. Santa Maria do Olival era a igreja do Panteão dos Mestres Portugueses. Foi escolhida, durante as descobertas portuguesas, como a igreja mãe de todas as igrejas da África, Ásia e Américas.

O coração medieval de Tomar fica nas proximidades e passeamos pelas suas ruas de paralelepípedos para visitar a sinagoga medieval mais antiga de Portugal. Muitos portugueses têm ascendência judaica e Tomar já foi o lar de uma próspera comunidade judaica. Este templo hebraico do século XV foi usado como prisão, palheiro e armazém de mantimentos durante sua longa história, mas agora foi esplendidamente renovado e abriga um pequeno museu interessante.

A espaçosa Praça da República, cercada por atraentes edifícios do século XVII, fica no coração da cidade velha e com vista para a encantadora Igreja de São João Baptista. A igreja tem uma torre octogonal e duas portas manuelinas ornamentadas de uma forma magnifica e profusa. A bela câmara municipal fica em frente e entre as duas, num local adequado no meio da praça, fica uma estátua imponente do ilustre fundador da cidade, Gualdim Pais.

O suprimento seguro de água para a cidade foi fornecido no início do século XVII por meio de um aqueduto de 6 Kms. Possui dois magníficos níveis com arcos de 30 m de altura pedestre na sua parte superior.

Desde os tempos romanos, o poder da água era usado para accionar moinhos, prensas de óleo e rodas de água para irrigação e indústria. A Roda do Nabão é uma roda de água moderna e muito admirada, construída em madeira de pinho e é um exemplo perfeito de como a força do rio Nabão foi usada para benefício da economia local.

A cada quatro anos, a praça da República torna-se o centro de actividades do mais famoso evento cultural de Tomar – a Festa dos Tabuleiros. Pensa-se que esta celebração antiga, associada à Festa do Espírito Santo, tenha as suas raízes nos ritos pagãos de fertilidade. O seu destaque é uma procissão de centenas de meninas locais (tradicionalmente virgens) carregando altos tabuleiros na cabeça. Estes utensílios incomuns são construídos a partir de pães, decorados com flores e têm uma pomba branca no topo para simbolizar o Espírito Santo.

O Castelo e Convento de Cristo

Entramos no terreno do castelo pelo portão principal e paramos para admirar a parte externa da igreja octogonal do século XII. Depois de entrar no mosteiro, percebemos que existe uma surpresa em cada esquina. Contámos oito claustros, o maior dos quais é considerado uma obra-prima do renascimento. Perto existem terraços encantadores com excelentes vistas sobre o campo circundante, uma enfermaria, uma farmácia e os aposentos sombrios de alguns monges.

O interior da bela igreja octogonal, conhecida como Charola, é a principal atracão. O corredor é circular, com um altar-mor fechado dentro de um octógono central, e as paredes circundantes são decoradas com murais de arte sacra do século XVI. Era o oratório particular dos cavaleiros templários e aqui assistiam aos cultos sentados a cavalo.

Do lado de fora da igreja, o pequeno claustro de Santa Bárbara tem uma vista da incrível e muito ornamentada janela Manuelina. Esta obra-prima bizarra é estruturada em torno de duas esculturas de mastros de navios, adornadas com nós, cortiça, coral e algas marinhas e é um tributo icónico à era de ouro dos Descobrimentos Portugueses.

O castelo e o convento foram transferidos para a Ordem de Cristo Portuguesa em 1357 até à abolição das ordens religiosas em 1834. Em 1933, como residência particular do Marquês e Conde de Tomar, foi reclamada pelo Estado Português e em 1983 classificada como Monumento do Património Mundial da UNESCO, juntamente com o Castelo dos Templários.

Mas há motivos para mais visitas nas proximidades, como Castelo de Bode, um dos maiores reservatórios de água do país, onde pode fazer um cruzeiro muito agradável no meio dos bosques envolventes ou visitar uma das muitas praias fluviais ideais para nadar, mergulhar ou fazer canoagem. No verão, a temperatura da água chega a 27 ° C e não há sal nem cloro na água. Também pode optar por visitar o Castelo de Almourol, localizado numa ilhota no rio Tejo, ou a vila ribeirinha de Dornes, para quem procura um melhor conhecimento sobre os locais templários na região.

 

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