Vinhos de Carcavelos – o vinho fortificado da Região de Vinhos de Lisboa

Agora que o Natal se aproxima os vinhos fortificados que acompanham tão bem os doces da quadra festiva ganham uma outra relevância. Companheiros por excelência da família e da boa mesa Portuguesa eles figuram como parte indispensável de um bom fim de serão no Inverno. É neste contexto que o vinho de Carcavelos deve começar por ser conhecido por todos os apreciadores de vinhos generosos e não só.

De renome internacional e de tradição secular, o Vinho de Carcavelos detém qualidades reconhecidas e confirmadas pela Carta de Lei de 18 de Setembro de 1908, na qual foi definida a região demarcada, do concelho de Cascais, e pela parte da freguesia de Oeiras que é tradicionalmente reconhecida por produzir vinho generoso”, bem como os princípios gerais da sua produção e comercialização.

Ele pode ser harmonizado com várias iguarias típicas da culinária portuguesa. O vinho de Carcavelos fica bem a acompanhar queijos de meia cura, como os da ilha (nunca com os amanteigados), com o Bolo Rei, (fruit cake) as rabanadas e todos os frutos secos.

Já no séc. XIV, documentos selados com a chancela real, se referiam aos “bem cuidados vinhedos de Oeyras”. Depois, no século XVIII, com a ascensão de Sebastião José de Carvalho e Melo, Ministro do Reino, feito Conde de Oeiras em 15 de Julho de 1759 e posteriormente Marquês de Pombal, o vinho generoso de Carcavelos foi refinado na sua produção, face às qualidades fantásticas da sua quinta em Oeiras.

Relembre-se que o Marquês de Pombal foi quem consolidou a delimitação e classificação da região de vinhos do Douro em 1756. Portanto, toda a sua experiência seria aplicada aqui na sua propriedade e para a produção de um vinho fortificado.

No último quartel do século XVIII, era já um vinho prestigiado e conhecido das elites europeias. A produção chegou a atingir 3.000 pipas nos primeiros anos de oitocentos, verificando-se intensa exportação, sobretudo através de Inglaterra, para mercados como a América do Norte, Índia e Austrália.

Reza a História que, a atestar a excelência do “Carcavelos”, estará uma valiosíssima oferta de D. José I, Rei de Portugal e dos Algarves, ao poderoso Imperador da China. Pois assim foi: através do embaixador português chegaram às mãos (e à boca) do dito imperador, duas esplêndidas garrafas de vinho “Carcavellos” proveniente da oeirense quinta agrícola do seu 1º ministro, o “ilustrado” Sebastião José. Parece que se seguiram muitas mais!

Porém, nem só de momentos bons viveu o “Carcavelos” pois ao longo da sua já longa existência teve alguns reveses, em virtude das pragas vinhateiras. Foi o que aconteceu décadas mais tarde com a terrível filoxera que assolou o país e quase o extinguiu. Associada a esta desgraça surgiu, na segunda metade do Século XX, a necessidade de urbanizar terrenos e com ela outra terrível praga: a especulação imobiliária!

Na década de 1980, as Quintas da Ribeira, dos Pesos e da Samarra, em Caparide, arriscaram reiniciar nos seus terrenos a prática produtiva interrompida, esforço que a Câmara Municipal de Cascais (CMC) reconheceu, através da respectiva inclusão no Catálogo-Inventário do Património Municipal. Em vista está ainda a implementação de um projecto museológico, através da recuperação e adaptação da adega e respectivos anexos a Museu, apoiando assim a CM Cascais a retoma da produção do vinho generoso, criando rotas enoturísticas no território e associando-se às iniciativas da Confraria de Enófilos do Vinho de Carcavelos.

A The Best Portugal confia que hoje em dia o património genètico dos vinhos de Carcavelos está recuperado e devido à impossibilidade prática de aumento de dimensão pela pressão urbanistica acreditamos que a via para o futuro destes magnificos vinhos será o do aumento da sua qualidade potencial com o objectivo dos emparceirar com os seus irmãos do Douro (vinho do Porto), da Madeira e de Setúbal (Moscatel de Setúbal).

 

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