O Futuro do Enoturismo

O turismo de vinho foi dos poucos sectores que resistiu de forma eficaz à Covid. Desde 2022, as viagens têm vindo a aumentar exponencialmente e o enoturismo tem acompanhado esta tendência, diversificando e inovando os seus produtos e proporcionando um nível de formação ao seu pessoal que irá impulsionar o crescimento deste sector no futuro. Mas quais são as principais tendências que podemos ver surgir ou continuar? É de tudo isto que tratamos neste artigo.

Quais então as principais tendências a esperar do enoturismo em geral?

Beber e provar não bastam

As adegas de hoje irão no amanhã focar-se lentamente em explicar mais demoradamente os seus processos na vinha, na vinificação da adega e no envelhecimento. Hoje a Internet trouxe mais consumidores informados e que exigem mais informação. Quer seja através de experiências imersivas como a prática das vindimas, ou o fazer o seu próprio vinho ou o visita temática feita por um enólogo, o enoturista quer sair da adega com uma predisposição para comentar e apreciar de forma mais técnica o vinho; no fundo quer sair com uma sensação de estar mais informado e mais apetrechado para falar de vinho com todos aqueles com quem compartilha este tão valioso néctar.

A visita a nova e menos conhecidas Regiões Vitivinícolas

Cada vez mais quem faz tours procura algo a que não está habitualmente exposto. Por esta razão e pelo facto das companhias aéreas terem aumentado o número dos seus destinos também, na tentativa de se diferenciarem, hoje os consumidores de vinho e de tours têm acessos muito melhorados a estas mesmas zonas e às suas castas nativas tornando-se, num futuro próximo, destinos excelentes para adegas e operadores de serviços trabalharem de forma integrada no sentido da potenciação da procura. Para este objectivo muito contribui o aumento do número de restaurantes, hotéis nessas mesmas zonas.

Trabalhar só não chega

Para as adegas e para os operadores de enoturismo não chega trabalhar apenas com os produtos conceptualizados por si. Terão no futuro que se associar em rede, de forma a potenciar a cadeia de valor do vinho, oferecendo produtos integrados que permitam através do vinho e da comida de uma região, ou de um país ilustra a sua cultura, expor as suas gentes e a sua forma de estar no mundo do vinho e na vida. Trata-se pois de providenciar uma experiência holística e não sectorial.

As adegas como destino gastronómico e não só de vinho

A experiência da The Best Portugal demonstra que quase em 100% dos casos quem faz tours de vinho adora os prazeres da mesa. Acima acreditamos e começamos já a observar que as adegas se tornam grandes centros não só de vinho, mas de gastronomia. Quer puxando para seu redor chefs famosos, acontecimentos gastronómicos, eventos de pairing de vinho e comida as adegas do futuro terão de acompanhar em qualidade e em tipicidade os restaurantes das regiões. Para o efeito não terão de ser meramente seus competidores, mas sim complementos em termos de ofertas de novos serviços para os seus clientes mais diferenciados.

Ribatejo wine tour
O Vinho é Arte?

Se o vinho é arte e todos cremos que sim quando experimentamos toda as suas potencialidades com a gastronomia certa então porque não oferecer outras formas de arte para o usufruto do consumidor? Escultura, pintura e até exposições itinerantes sobre a cultura vínica da região ou a edição de um livro sobre a mesma. Mais uma vez abordagem Holística precisa-se.

Tecnologia nas tours de Vinho?

Cremos que a experiência do enoturista será sempre algo com toque muito humano mas em determinadas áreas onde a técnica assume características marcantes a realidade virtual ou aumentada pode ajudar os visitantes das adegas a sentirem que as visitas são diferenciadoras e potenciadoras da sua cultura vínica. Tais são por exemplo as áreas olfativas e gustativas da prova de vinho ou da vinificação do mesmo. Aqui a inteligência artificial poderá também assumir uma importância determinante.

Muito bonito, mas e os clientes?

Sem dúvida os clientes são o móbil de todas as iniciativas no enoturismo e para isso as técnicas de Marketing Convencionais e Digitais são fundamentais. São elas que porão em contacto redes de consumidores direta ou indiretamente relacionadas entre si e que ajudarão os proprietários das adegas a encontrar e depois a reter os seus clientes. Tecnologia em torno do Marketing poderá ajudar a fazer o enoturista sentir-se envolvido como que dentro de um club não só de vinhos mas de acontecimentos de vinho e comida e até de informação que só irão em última análise potenciar o seu comportamento de lealdade e de consciência de marca.

Muito mais haveria a dizer, mas também é um facto que não dispomos de nenhuma bola de cristal para irmos muito mais além do que um horizonte temporal de 4 ou 5 anos nos pode assegurar. A tecnologia e os mundo dos vinhos evoluem numa velocidade vertiginosa e só nos resta esperar de copo na mão e esperar pelo melhor…

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